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Checklist de visita técnica em automação residencial

Uma visita técnica bem feita evita proposta refeita, aditivo brigado e equipamento que não cabe no rack. Este checklist cobre o que observar em cada sistema, o que perguntar ao cliente e ao arquiteto e o que levar na mochila.

· 7 min de leitura

A proposta de automação nasce na visita técnica. Se o levantamento foi apressado, a proposta sai com chute: quantidade de circuitos estimada, ponto de rack "a definir", cortina sem medida. Depois vêm as revisões, o aditivo que o cliente não esperava e a discussão com o eletricista na obra.

Este checklist é para o consultor ou o projetista que vai a campo. Ele não substitui experiência, mas garante que nada básico fique para trás. Imprima, adapte à sua forma de trabalhar e leve em toda visita.

Antes de sair do escritório

  • Peça a planta (baixa, elétrica e forro, se houver) ao arquiteto ou à construtora. Chegar com a planta impressa muda a qualidade da visita.
  • Confirme quem vai estar presente. O ideal é o cliente e o arquiteto, ou pelo menos o mestre de obras.
  • Pergunte a fase da obra. Isso define o que dá para propor sem quebra.
  • Revise o que o cliente já contou no primeiro contato: estilo de vida, ambientes prioritários, se já tem algum sistema.

O que levar

  • Planta impressa e prancheta (ou tablet com a planta).
  • Trena a laser e trena comum.
  • Celular carregado e bateria extra, para foto e vídeo de cada ambiente.
  • Analisador de Wi-Fi no celular, se o imóvel já tiver internet.
  • Lanterna (obra sem luz é a regra, não a exceção).
  • Fita crepe e caneta para marcar pontos combinados na parede.
  • Catálogo ou tablet com exemplos de teclado, tela e alto-falante embutido, para o cliente ver.
  • EPI básico se for obra em andamento: capacete e calçado fechado.

Planta e fase da obra

Comece pelo contexto. Anote em que ponto a obra está e o que ainda pode mudar.

  • Alvenaria pronta? Elétrica já passada? Forro fechado?
  • Há forro de gesso previsto em quais ambientes? Qual a altura disponível?
  • Data prevista de reboco, forro, marcenaria e entrega.
  • Quem é o eletricista e qual a relação dele com a obra.
  • Há projeto luminotécnico? Quem fez?

Obra em fase de acabamento ainda aceita automação, mas com solução sem fio, aproveitamento de tubulação existente ou quebra pontual. Isso precisa estar claro na proposta.

Ambientes

Percorra a casa ambiente por ambiente, na ordem da planta. Para cada um, registre uso, prioridade e o que o cliente imagina ali. A proposta depois vai seguir essa mesma organização por ambiente, então quanto mais estruturado o levantamento, mais fácil montar. Sobre isso, veja como montar uma proposta de automação residencial.

  • Nome do ambiente como o cliente chama ("sala de TV", não "estar 2").
  • Quem usa e em que horário.
  • Sistemas desejados: luz, cortina, áudio, vídeo, clima, segurança.
  • Foto geral e foto de cada parede.

Iluminação e circuitos

  • Quantidade de circuitos por ambiente, conforme o luminotécnico ou o que o cliente imagina.
  • Tipo de carga: LED dimerizável, fita LED com driver, lâmpada comum, trilho.
  • Quais circuitos precisam de dimerização e qual a compatibilidade do driver.
  • Posição dos teclados: entrada de cada ambiente, cabeceira, área gourmet.
  • Cenas que o cliente quer (jantar, cinema, chegada, apagar tudo).
  • Onde ficam os módulos de iluminação: quadro central ou distribuído.
  • Espaço no quadro elétrico e se há previsão de quadro dedicado.
  • Iluminação externa e de jardim: sensor, horário, cena.

Rede e Wi-Fi

Rede ruim derruba qualquer automação. Trate esse item como base de tudo.

  • Ponto de entrada da operadora (fibra) e distância até o rack.
  • Quantidade de pontos de rede cabeados: TVs, consoles, escritório, câmeras, access points.
  • Posição dos access points no forro ou na parede, considerando lajes e paredes grossas.
  • Áreas externas que precisam de cobertura: piscina, churrasqueira, garagem.
  • Quantidade de dispositivos esperada (família, funcionários, visitas).
  • Rede de convidados e isolamento dos dispositivos de automação.

Rack e CPD

  • Local do rack: ventilado, acessível para manutenção, longe de umidade.
  • Dimensão disponível e altura do rack previsto.
  • Tomadas dedicadas e circuito exclusivo para o rack.
  • Nobreak: tamanho e autonomia esperada.
  • Ventilação ou climatização do espaço (rack em marcenaria fechada esquenta).
  • Caminho da tubulação de todos os ambientes até o rack.

O rack é o assunto que mais gera conflito com o arquiteto, porque ninguém quer ceder espaço. Leve a conversa já com uma proposta de local e dimensão.

Áudio e vídeo

  • Zonas de áudio: quais ambientes, embutido no forro, na parede ou caixa aparente.
  • Área externa: caixa para jardim, resistência ao tempo.
  • Home theater: medidas da sala, distância do sofá até a tela, posição de projetor ou TV, tratamento acústico.
  • Configuração de caixas pretendida (por exemplo, 5.1 ou 7.2) e posição do subwoofer.
  • TVs: tamanho, altura, suporte, se haverá painel de marcenaria.
  • Distribuição de vídeo: fontes centralizadas no rack ou locais.
  • Serviços de streaming que o cliente usa.

Cortinas e persianas

  • Medida de cada vão (largura e altura) e tipo de cortina (rolô, trilho, painel).
  • Sanca ou embutido no forro: profundidade disponível para o motor.
  • Ponto de energia próximo a cada motor.
  • Quem fornece o tecido: a integradora ou a decoradora.
  • Integração com cenas (cortina fecha no cinema, abre de manhã).

Climatização

  • Tipo de ar-condicionado previsto: split, multi-split, VRF, dutado.
  • Marca e modelo, se já definidos, e se aceitam controle por automação.
  • Aquecimento de piso, toalheiro, piscina ou sauna a integrar.
  • Posição de sensores de temperatura, se aplicável.

Segurança e acesso

  • Câmeras: quantidade, posição, gravação local ou na nuvem.
  • Interfone e vídeo-porteiro: integração com tela e celular.
  • Fechadura eletrônica nas portas principais.
  • Alarme existente ou previsto e quem monitora.
  • Portão de garagem e social.

Perguntas para o cliente

  • Como é um dia comum na casa? Quem chega primeiro, quem dorme tarde?
  • O que mais incomoda na casa atual?
  • Quem vai usar o sistema (filhos, idosos, funcionários)?
  • Prefere teclado, tela, celular ou voz?
  • Já teve automação antes? O que gostou e o que não gostou?
  • Tem uma faixa de investimento em mente para a automação?
  • Qual a data em que precisa morar na casa?

A pergunta do investimento costuma travar, mas é melhor fazer na visita do que descobrir na apresentação da proposta. Para tratar disso com naturalidade, veja como precificar um projeto de automação.

Perguntas para o arquiteto

  • Qual o padrão de acabamento de teclados e tomadas especificado?
  • Onde o rack pode ficar sem prejudicar o projeto?
  • Há restrição estética para caixa de som embutida, sensor ou access point no forro?
  • Quem é o luminotécnico e como trocar informação com ele?
  • Qual o cronograma de forro e marcenaria?
  • Prefere receber a proposta junto com o cliente ou antes?

O arquiteto que se sente incluído no levantamento vira aliado na venda. O artigo sobre parceria com arquitetos aprofunda essa relação.

Exemplo: apartamento em reforma

Um apartamento de quatro suítes em reforma completa, com alvenaria pronta e elétrica ainda não passada. O consultor chega com a planta, o cliente e a arquiteta estão presentes.

Na sala, descobre que a arquiteta previu um painel de marcenaria para a TV, mas não pensou em espaço para os equipamentos: o rack vai para um armário na área de serviço, com ventilação a definir. No terraço, o cliente quer áudio, mas a laje não tem forro, então a solução é caixa aparente resistente ao tempo. Na suíte master, a cortina fica numa sanca rasa demais para o motor previsto, e a arquiteta aceita aprofundar alguns centímetros. Tudo isso, decidido na visita, sairia como revisão de proposta ou aditivo se fosse descoberto depois.

Depois da visita

  1. Organize as fotos por ambiente no mesmo dia, enquanto a memória está fresca.
  2. Passe o levantamento a limpo, na mesma estrutura de ambientes da proposta.
  3. Mande um resumo curto ao cliente e ao arquiteto com o que foi combinado e o que ficou pendente.
  4. Marque na agenda a data de apresentação da proposta.

No Automagil, a visita entra na agenda ligada à negociação e a proposta é montada por ambiente com os produtos do catálogo, o que encurta o caminho entre o levantamento e o documento. Com ou sem ferramenta, o ponto é o mesmo: o que você não anotou na visita vai custar caro na obra.

Perguntas frequentes

Qual a melhor fase da obra para fazer a visita técnica?

Antes de fechar paredes e forro, de preferência com a alvenaria pronta e a elétrica ainda não passada. Assim dá para definir tubulação, caixas e ponto do rack sem quebrar nada.

Preciso cobrar pela visita técnica?

Depende do seu modelo. Muitas integradoras cobram o levantamento e abatem do projeto se o cliente fechar. O importante é deixar a regra clara antes de ir.

O que fazer se não houver planta disponível?

Faça um croqui à mão com medidas principais, fotografe cada ambiente com referência de escala e peça a planta ao arquiteto ou à construtora antes de fechar a proposta.

Quanto tempo dura uma visita técnica em uma casa de alto padrão?

Depende do tamanho e da fase da obra, mas reserve algumas horas e evite marcar outro compromisso logo em seguida. Visita corrida é visita incompleta.